26 de novembro de 2010

Sete rosas para uma dama

Senhora! A vida, assim dos teus olhos banida;
É a mesma vida;
Que doravante será minha vida!
Se tua tristeza é maior;
Serei eu cúmplice desta tua dor, 
E choraremos juntos, 
As perdas do nosso amor.
Na tristeza que encima,
Teus clamores divinais;
Tenho parte, e ainda insisto: 
No teu colo, meu ninho!
Na tua boca; minha memória certa!
Teu riso, meu sorriso de contentamento,
E mesmo que advenha o ciso, 
E nos percamos no silêncio dos olhares;
Serei eu sempre contigo! 
Conserva no teu coração a lembrança do que digo:
Quando nas noites de estrelas, deitávamos enlaçados
E nos dizíamos das dores ancestrais,
Que percorrem o tempo, encarcerando homens...
Este vosso homem; sonhava!...
E no sonho que me davas, em suaves néctares, 
O mundo não tinha partes, 
E amávamos a unidade do amor.
E com que artes nossos sonhos eram divisados no futuro 
Nossos segredos... 
Nossas escolhas... 
Nossos amigos indivisos... 
Nossa poesia em flor, nossa dança ancestral,
Nossa musica, nossos filhos sonhados.
E eis que tudo se encerra; 
Num gesto sem medida; sem parcelas!
No sonho que nos fustiga;
Nas tristes realidades de um mundo divisado,
No sono profundo de nossos corpos machucados. 
Nossa memória é dada, triste feiúra, 
E os deserdados do amor, triunfam do rancor,
Os patéticos indecisos, alardeiam nossa partida, 
Dos céus das delicias que queríamos em nosso amor.
Assim curvado a tua lagrima, rumoroso, lhe digo:
Mantenha vivo, o calor das virtudes;
Na certeza que maior mundo é o nosso mundo.
E se estes olhos túmidos, que transporto para o futuro,
É marco do teu vaticínio, a ele darei vulto! 
Minha face eclipsada será marca do teu luto!
Mas, se vir a flor da alegria e te aprazer outro rito;
Senhora vós rogo o retorno do teu sorriso, 
Dele farei lenimento para a cura dos meus sofrimentos 
Serei fiel a tua espada e tua bandeira,
Permaneço! nas pedreiras do mar afora, e aguardo,
Teu amplexo de luzes, que encerre,
Este rigor que em minha face, se divisa,
 
Antes que se me conheça.

16 de novembro de 2010

Enquanto,

eu chorar,brigar, incomodar, discordar, xingar, encher o saco; tudo bem. Quando eu te ignorar aí você pode começar a se preocupar.'


15 de novembro de 2010

Ney Matogrosso, Beijo Bandido






Ney Matogrosso é conhecido por sua extravagância e coragem. Juntam-se aí um pouco de transgressão e rebeldia, misturadas com poesia e um toque de erotismo. Acrescenta-se drama e forte presença de palco. Na verdade esse era o Ney do meu imaginário.

Bem menos exuberante do que os outros shows, Beijo Bandido (assistido no dia 7 de novembro, no Sesc Pinheiros) mais parece uma história de amor contida, contada e cantada em capítulos. Capítulos tristes, diga-se de passagem, a começar pela primeira canção...

Hoje, alguém pôs a rodar
Um disco de Gardel
No apartamento junto ao meu
Que tristeza me deu

(...)

Parece me dizer
Que a noite envelheceu
Que é hora de lembrar
E de chorar
[em Tango para Teresa]

No decorrer do show, Ney, que veste um terno cinza (talvez) e uma camisa branca aberta no peito parece interpretar uma vida inteira de sofrimento de alguém que foi ou está sendo desprezado por alguém que ama....

Vivo só sem você
Que não posso esquecer
Um momento sequer
Vivo pobre de amor
À espera de alguém
E esse alguém não me quer
[em: de cigarro em cigarro]

mas que, ainda assim, esse alguém (o que despreza) é amado.

O teu corpo é luz, sedução,
Poema divino cheio de esplendor.
Teu sorriso prende, inebria e entontece.
És fascinação, amor.
[em: Fascinação]


Mesmo sem ter tal amor, submete-se a qualquer coisa para voltar...

Se o problema é pedir, implorar
Vem aqui, fica aqui
Pisa aqui neste meu coração
Que é só teu, todinho teu, o escurraça
E faz dele de gato e sapato
E o inferniza e o ameaça
[em: Doce de Coco]

Mas, quando o show está perto do fim, percebemos que o ser desprezado parece estar ciente de sua situação e, mesmo se dirigindo a um outro ser, os versos abaixo caem como um recado a sim mesmo:

Saia desta vida de migalhas
Desses homens que te tratam
Como um vento que passou
[em: Mulher sem Razão]

Bom, claro que isso é apenas uma análise bem rasa do que é este disco fenomenal do Ney. Foi o primeiro show dele que vi e saí com a sensação de tempo perdido. Mesmo tendo ouvido dezenas de outros de seus discos, sobretudo dos Secos e Molhados, só ali naquele palco, ao vivo, é que pude perceber o quanto Ney é essencial pra nossa música.

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12 de novembro de 2010


Texturas latejam minha pele
Minha memória no tato
Minha memória na saliva
Que ainda tem teu gosto

11 de novembro de 2010


"Estranho é não saber te dizer dessa saudade, daquilo que mais me faz falta em você. Esquisito é ter que te deixar partir pra poder voltar a me sentir. Insano é consentir que você me perca, te perder mil vezes pra quem sabe me encontrar nesse labirinto de nós dois...


Loucura foi permitir que nos déssemos às costas por pura impaciência de desvendarmos os caminhos..."

9 de novembro de 2010

Deus também escreve

Vez por outra Deus me faz alguns gracejos. Não, não falo sobre milagres daqueles que se exclama:

- Minha mãe do céu Nossa Senhora!

Desses só tive um. Falo sobre gracejos que a mim tocam como se o Próprio passasse a mão em minha cabeça e dissesse:

- Viu filho?

Outro dia mesmo me saio eu em pleno dia de sol com o guarda-chuva embaixo do braço. Ela:

- Pra que isso? Olha o sol que está fazendo?
- Ora, não custa nada. É verão não é mesmo?
- Humpf! Não vai chover.

Choveu.

O pensamento que me vem a cabeça é de tomá-la em meus braços, apertá-la bem junto a mim e dizer-lhe olhando bem fundo em seus olhos qualquer coisa como num filme de amor sobre nós dois nos beijando sob uma chuva de verão. Não digo. Não porque falte amor. Existe é amor em excesso. Fraternal por demais. Nos falta um certo desapego.

Pois bem, noutra vez, me pôs em meu caminho o Senhor uma linha que até hoje me cruza com uma audácia incomum. Essa surgiu-me como se a própria Virgem aparecesse estampada no vidro de meu quarto. E permanece assim, como se translúcida fosse, mesmo não o sendo. Qualquer dia é bem capaz que se desfaça ou que eu troque o vidro. Não me importa. Já a tenho tão clara e altiva em meu coração que já posso vê-la até na escuridão.

OVOS QUEBRADOS

OVOS QUEBRADOS
Arte de Arthur Dove


Deixar bem claro que essa é uma história que aconteceu comigo e com a minha ex-namorada!
Mais para simplificar o texto e não ficar colocando ex, coloquei como namorada, bom vamos lá..

Chega um momento em que a relação precisa quebrar os ovos. É bom estar preparado.

Será como o trabalho doméstico: transparente. Lava-se louça, roupa, estende, retira os vincos com ferro, limpa casa, recolhe o lixo, arruma os brinquedos e os filhos nem reparam que tudo está novamente no lugar e no armário, apesar da bagunça feita recentemente. É óbvio que não vão agradecer. É o que chamo de passado secreto. Aconteceu, mas não merece memória. Entretanto, a raiva fica: não fui valorizado e resta um desmemoriado mal-estar.

Minha namorada resolveu comer omelete. Ela já fez o prato outras vezes em seu apartamento.

Estava em casa e me antecipei na captura dos ingredientes, louco para agradá-la. Mas a minha menção de executar a tarefa a desagradou. Entenda, é o passado secreto. O ardiloso passado secreto. Com minha efusiva disposição, ela desconfiou de que não gostava de suas omeletes e que somente agora, decorrido um ano, estava com coragem de falar.

Raciocinei que significava uma informação dispensável, meu modo era dourar os dois lados e o dela era envelopar a massa ao final, mas ela tratava o assunto com tamanha energia que até me assustou.

- Quer que eu faça?
- Não gosta do jeito que faço?
- Gosto, é que eu mostraria minha predileção...
- Gosta nada, quem já fez omelete para você? Quer do jeito de quem? Confessa?
- De ninguém.
- Ora, vai nessa, qual é a receita? Com queijo ralado, requeijão, fatias? Por que nunca me disse que não gostava da minha omelete? Eu me sinto uma idiota...
- Eu gosto, só busquei uma maneira diferente.
- Que maneira?
(Daí eu me danei)

Levaremos mais tempo discutindo na tentativa de prevenir a discussão. A conversa durou duas horas. Duas horas sobre absolutamente nada, a não ser o medo do que não foi vivido junto. Se aliso seu umbigo, acreditará que repito um convite libidinoso com uma antiga namorada. Quanto mais a gente se entrega, maior é o pânico de estar sozinho na doação, de ser uma miragem afetiva. Tanto que após desfiar um "eu te amo tanto", não ouse nunca mais declarar "eu te amo" - é como se amasse menos.

O ciúme está dobrado em cada gesto, fazendo contas e pedindo estornos. Não há saída; passe manteiga na conversa, aqueça a frigideira e admire os ovos quebrados na pia.

Repare como o negócio é tinhoso. Durante as compras, no caixa, costumava perguntar se ela estava naquele momento com troco. Não falava dinheiro, mas troco. Uso troco para tudo. Para quê? Ela já formulou uma tese de que empregava o código com a ex. Igual sina em nossas rotas românticas. Relaxados, sozinhos e prontos para namorar, peço que ela me alcance o champanhe do balde: - Por favor, me passe a "champs"? “Champs”? Feito o entrevero. Usava também esse dialeto com a ex.

O grave é que ela tem razão. Só não desejava brigar, ainda mais quando não tenho defesa. Ela poderia ser mais justa e me dar tempo para preparar uma mentira.

8 de novembro de 2010

Já não somos mais os mesmos, mudamos diariamente e talvez não pra melhor, quanto mais se passam os dias mais nos destruímos. E, aquelas pessoas que em algum dia fizeram parte de um cotidiano hoje nem somam um minuto, e ainda perdemos tempo com algumas de hoje.

Destruímos a vida em questão de minutos, com ações inconsequentes de jovens devaneados que preocupam apenas consigo, tomara que o mundo se exploda, talvez seria melhor pra nós ou pra eles se explodissem eles ou nós. Quem se importa com seres caoticos? talvez, somente as mães que sofrem com medo de não ter o filho mais uma noite no travesseiro. Digamos que as mães são os super-heróis mais fortes, daqueles de desenho em quadrinho, que matam os vilões e ainda resta tempo pra cuidar da vida por detrás da máscara.

5 de novembro de 2010

Sem noivo, taiwanesa pretende se casar sozinha


Mesmo sem noivo, uma mulher taiwanesa pretende realizar no próximo mês uma cerimônia de casamento. Ela, inclusive, mostrou o vestido de noiva que irá usar no dia, segundo reportagem da emissora norte-americana de TV “Wesh”.
A mulher identificada como “Chen” contratou uma cerimonialista para cuidar do planejamento. Ela pretende fazer uma festa para 30 convidados. “Eu não encontrei um parceiro. Então, o que eu posso fazer?”, questionou Chen.
Ela destacou que espera expressar uma ideia diferente sobre o casamento. Chen acrescentou que, se achar um pretendente depois, vai se casar novamente. Apesar do casamento individual, a mulher irá passar lua-de-mel na Austrália após a cerimônia.


4 de novembro de 2010

Esse egoísmo, tão livre que me dói

Engraçado, o amor tem desses egoísmos. Isso de querer o outro só pra você, acontece com todo mundo. E o engraçado é que não tem confiança ou mente aberta que te faça relaxar, e pra quem ainda não entendeu, é assim: você sente um arrepio no corpo todo e seus olhos enchem de lágrima quando veem ela se divertindo, sem você. Mas veja só! Ela só está se DIVERTINDO! Vocês não são siameses!! Meu Deus, parece tão fácil de entender... e pior que é! Mas não se importar, é um dom, e precisa ser MUITO desapegado pra levar isso na boa, tipo 100% mesmo! E aquele papo de "Eu te amo pq você não precisa de mim" já deu, pra mim não faz mais sentido. EU TE AMO PQ VC PRECISA DE MIM, PORRA! É mais do que óbvio isso!!!
Então essa coisa de no fundo no fundo, apesar do discurso de querer a própria liberdade, as vezes é furada, você suuuper curte a tua liberdade, quando é a sua vez de deixar o outro curtir vem a trava. Não adianta.

E OLHA, AI DE QUEM FALAR QUE NÃO É ASSIM! Minta, mas não minta pra si. isso acontece com todo mundo, é super normal, e eu assumo!
O nome disso é egoísmo, mas o amor tem dessas coisas.