22 de fevereiro de 2011

Triste, Triste.

Meu coração não suporta tanta dor... me pergunto como pude me entregar tanto a esse amor... 
Agora as coisas estão em outro nível pessoas se ferem por dentro e por fora.... 
QUERO FORÇA PRA IR EM FRENTE DEUS... não aguento tanto sofrimento que se alimenta cada dia mais... 
Meu coração não tem mais força minha alma se perdeu em um horizonte escuro... Quero sumir pra nunca mais voltar... Desculpem o desabafo mas meu corpo já não se sustenta mais... eu precisava desabafar não posso dizer pra ninguém o que acontece com esse meu amor desesperado... então eu fico sufocado com minhas próprias palavras, eu não vivo mais só fico com minhas lembranças, são elas minha vida agora. AS LEMBRANÇAS. 
Queria acreditar que amor só de mãe... mas sem chance. 
Quero me libertar dessa vida... EU NÃO AGUENTO MAIS...

19 de fevereiro de 2011

Percepção

Tudo aquilo que sentia, ou que pensava sentir.. era mentira! Das mais escuras, mais escondidas, e secretas mentiras.
Eu nunca te amei. Sim, é verdade. Seus olhos verde-mar me acalmavam, me davam paz, e.. segurança. Her, era isso.
Eu sonhava contigo, eu te imagina comigo, aqui, ao lado, sorrindo, aquele sorriso doce, olhar compreensivo, aquela amizade, aquela lealdade, mas eu nunca te amei. Lamento pelo engano.. de todo coração, lamento se te fiz sofrer, ou se te enganei sem querer, me perdoe, sim, perdoe, esse coração ainda está aprendendo a andar.
Quando olhei em seus olhos, percebi. Eu iludia, a você, a mim, a nós todos, porque eu nunca te amei.
Eu amei a ideia de estar amando, ou de ter alguem admiravel a quem pudesse amar.
Mas eu nunca te amei..

18 de fevereiro de 2011

pôr do sol.

- tapo o nariz e mergulho.
- e depois?
- fico a ouvir o mundo ao longe.
- onde acaba?
- ali. onde está o sol.
- vejo. o sol arrefece?
- sim. a água aquece.
- juras?
-o quê?
- que debaixo do mar se ouve o mundo.

17 de fevereiro de 2011

CREPÚSCULO DOS CASAIS

A namorada de meu irmão começou a elogiar o vampiro Edward, do filme Crepúsculo.

“Aquela palidez, aqueles traços selvagens, o corpo perfeito.”

Enquanto ela discorria metaforicamente, tudo bem, até a hora em que entrou o corpo perfeito. Foi um banho de realidade. Ele a via se esfregando no box e dedicando o pescoço ao canastrão. Não importava se a menina ad­­­mirava o personagem ou o ator Robert Pattinson. Ambos se tornaram um inimigo declarado dele e de seu time de futebol de terça-feira.

Homem somente arde de ciúme de um ator quando venerada sua força física e muscular. Pode falar das ideias, da inteligência, do romantismo, do caráter, nada incomodará. Erudição e sensibilidade são alcançáveis mesmo com uma barriguinha de cerveja. O trauma é acabar com a barriguinha de cerveja.

Namorada, quando comenta o tórax, o tronco, as pernas de um ator, logo completará a provocação “eu faria qualquer coisa com ele”.

– Qualquer coisa?, o namorado retruca.

– Sim, qualquer coisa. Sua sorte é que ele não mora aqui.

Ainda solta um risinho, que aumenta a malícia da frase e o conteúdo misterioso e encorajador da oferta.

A noite estará estragada com o inofensivo diálogo.

Em primeiro lugar, o ciumento vai concluir que não faz qualquer coisa por ele, que ela guarda segredos e posições intocadas do Kama Sutra. Já a imagina cumprindo um spacatto na mesa de jantar.

O homem tem muito mais medo de ser corneado pela fantasia feminina do que pela parada de ônibus.

É desvalia funcional. Se quer que o ex cometa suicídio, espalhe a fofoca de que desmanchou o relacionamento porque o tamanho não a satisfazia.

Uma coisa é concorrer com o vizinho, outra é concorrer com Rodrigo Santoro.

Mostrando que é do mesmo sangue, meu irmão não deixou por menos. Uma semana depois, de um modo premeditado, é óbvio, comentou olhando para o lado, assim como quem permite o guardanapo cair, de que Robert Pattinson é excêntrico e não toma banho. Desejava, no mínimo, eliminar a incômoda fantasia do box.

– Como descobriu?

– A notícia estava num site e li por acaso.

– Que nojo, Robert parecia tão cheiroso.

Ele não contou que pesquisou tudinho sobre o ator, cabulou uma tarde do serviço, criou uma pasta exclusiva com informações confidenciais de sua história, de seus hábitos e superstições, que a expressão mais pedida em seu Google era Pattison. PATTISON. Com a convivência forçada, criou uma simpatia pelo sujeito, mas era tarde para iniciar amizade.

Mais grave foi um amigo carioca, nova vítima do Crepúsculo de Stephenie Meyer.

– Não aguento mais esse seu calendário pilomax: lua nova, eclipse, amanhecer?

A esposa comprou a coleção inteira e passava os dias lendo. Não é um modo de expressão: lia co­­­mendo, lia no banheiro, lia atendendo os filhos, lia de pé.

Nem conversava mais com ele, a não ser quando surgia a palavra-chave “imortalidade”.

Assoberbado de inveja, inventou de arrancar com estilete a última página do quarto e último volume. Nem despistou, aparecia na costura a rebarba da folha censurada.

Pressionado pela mulher, confessou o crime, cheio de razão.

– Nunca saberá o final da história?

– Não preciso, a nossa termina por aqui.

Divorciado, duro, frustrado, hoje entende que as mulheres sempre preferiram os vampiros aos lobisomens.

14 de fevereiro de 2011

N

NComposição: Nando Reis
 
E agora, o que eu vou fazer?
Se os seus lábios ainda estão molhando os lábios meus?
E as lágrimas não secaram com o sol que fez?
E agora como posso te esquecer?
Se o seu cheiro ainda está no travesseiro?
E o seu cabelo está enrolado no meu peito?
Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo
Espero que o tempo voe
Para que você retorne
Pra que eu possa te abraçar
E te beijar

De novo
E agora, como eu passo sem te ver?
Se o seu nome está gravado no
Meu braço como um selo?
Nossos nomes que tem o "N"
Como um elo
E agora como posso te perder?
Se o teu corpo ainda guarda o
Meu prazer?
E o meu corpo está moldado com o teu?
Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo
Espero que o tempo voe
Para que você retorne
Pra que eu possa te abraçar
Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo
Espero que o tempo voe
E que você retorne
Pra que eu possa te abraçar
E te beijar
De novo
De novo...de novo...de novo...
-----

Simplesmente viciado nessa música! Liiiinda!
E me faz lembrar de alguém... :P

bjs

7 de fevereiro de 2011

das teclas e das cores

{começo}

ventila a dor em meu quarto
na cor anil que me atordoa
como as borboletas se transforma
pede licença e voa

pensei em escrever sobre todas as cores
sobre o verde de natureza
sobre o vermelho de amores

 sobretudo sobre a linda rosa
de rubras pétalas que amei

mas só consigo dourar meus cactos
com o ácido das laranjas em minha boca

e o violeta deste céu que eu tanto conheço.

3 de fevereiro de 2011

Balão

Ela tremia toda segurando a linha entre os dedos magros. Ao final da linha, lá em cima, um balão vermelho.
Andando pela calçada, levando aquele objeto delicado, ela era alvo de olhares furtivos. Afinal, ninguém assume um balão além das crianças e dos vendedores. Mas isso não a incomodava. Pelo contrário, essa atitude esperada das pessoas era o que a fazia sentir-se diferente, corajosa, superior.
Parou em plena avenida movimentada. Ruídos de carros, barulho de vida. Sim, porque se faz muito barulho enquanto se vive. Foi então que ali, no meio da avenida, sentiu a linha frágil escapar-lhe pelos dedos. O balão tomou altura, subiu.
Lá de baixo ela o via se misturar aos outdoors, aos fios da companhia elétrica. Tão cheio de sopro aquele balão… os balões são feitos do sopro que extraímos de dentro da gente. E aquele balão vermelho ia ganhando altura com o sopro dela. Se afastando, levava o que fazia a diferença na menina. Ela que usava balão do lado de fora.
Quando ele sumiu de vista, ela se pôs a caminhar encurvada. Não saberia ser sem ele nas mãos. Sentia-se envergonhada por não ter mais o balão que é sopro, ar. Ainda mais vermelho. Vermelho que é vida, sangue na veia. Sem ar a gente não vive.
A vida é feita de sopro que entra e sai e sangue que corre. É como se dentro da gente existissem milhares de balões vermelhos. A gente sente quando um ganha altura e se vai. Quando isso acontece a gente perde o ar, perde a cor.
Quando isso acontece é preciso um tempo para retomar o ritmo e a respiração. É difícil voltar ao normal quando se perde um balão.

19 de janeiro de 2011

Então é 2011 ... !

O ano passou tão rápido ! Lembro perfeitamente do Natal do ano passado ... Tudo tem passado rápido ultimamente, o tempo parece que voa, tem horas que isso é bom, mas tem horas que é péssimo, pois tem momentos que a gente quer viver para sempre !! Mas como já dizia Cássia Eller, o pra sempre, sempre acaba ! Esse ano especialmente, eu acho que aprendi bem o significado dessa frase, por tantas maneiras diferentes ...
No começo do novo ano, é gostoso lembrar de tudo que a gente fez durante o ano passado, dos bons momentos que a gente passou com as pessoas que a gente gosta, e também é bom lembrar de todos os momentos que a gente sofreu e COMO a gente conseguiu superar essas coisas! Tem coisas que a gente vai lembrar e vai dar muita risada, mas tem coisa que a gente vai lembrar, e ainda pode cair uma lágrima do nosso olho; Coisas que a gente vai lembrar pra sempre com alegria, querendo voltar naquele momento, e de coisas que a gente quer mais é esquecer ! E é exatamente isso que a gente deve fazer não só no começo do ano, mas
sempre :

GUARDAR todas as lembranças boas na memória e JOGAR fora aquelas que nos fazem mal !

E neste novo ano, eu desejo à todos vocês muitas alegrias, muita paz, muita união e tudo de melhor, que todos vocês tenham muitas lembranças boas para guardar com vocês !!


FELIZ 2011 PARA TODOS !

14 de janeiro de 2011

°°° Tout le monde ~*

Todo o mundo é uma pessoa engraçada
E todo o mundo tem a alma emaranhada
Todo mundo tem uma infância que ressoa
No fundo de um bolso esquecido
Todo mundo tem restos de sonhos
E cantos de vida devastados
Todo mundo procurou alguma coisa um dia
Mas todo mundo não a encontrou
Mas todo mundo não a encontrou

Seria preciso que todo mundo pedisse junto às autoridades
Uma lei contra toda nossa solidão
Que ninguém seja esquecido
E que ninguém seja esquecido

Todo mundo tem somente uma vida que passa
Mas todo mundo não se lembra disso
Eu vejo pessoas que a dobram e até mesmo a quebram
E vejo aqueles que nem mesmo a vêm
E vejo aqueles que nem mesmo a vêm

Seria preciso que todo mundo pedisse junto às autoridades
Uma lei contra toda nossa indiferença
Que ninguém seja esquecido
E que ninguém seja esquecido

Todo mundo é uma pessoa engraçada
E todo mundo tem a alma emaranhada
Todo mundo tem uma infância que ressoa
No fundo de uma hora esquecida
No fundo de uma hora esquecida

Composição: Carla Bruni

27 de dezembro de 2010

Feliz Natal

Natal - XUXA

Quem é que nunca esperou
Numa noite assim tão bela
Coração cheio de sonhos
Sapatinho na janela Quem é que nunca chorou
Quando vê o bom velhinho
Mesmo que fosse o papai
Todo cheio de carinho Quem é que nunca pediu
Por um mundo diferente
Pra trazer felicidade
Embrulhada num present eNessa noite que ele vem
Todo mundo é uma criança
Toca o sino de Belém
Enchendo o ar de esperança Nessa noite tão feliz, vem me dar a tua mão
Hoje o coração me diz, vem cantar essa canção
Vem brilhar Estrela guia, ilumina todo o céu
Traga o amor e a harmonia, com o meu Papai Noel



O Natal vive no coração daqueles que acreditam e celebram essa data tão especial. Jesus nasceu, isso é um motivo de ficar feliz. E Papai Noel existe quando a gente deseja ele existir. Natal é uma época de renovação espiritual, de perdão, de paz e harmonia. Vamos acreditar no Natal como uma data especial, onde desejamos um mundo melhor. É Natal para todos. Que não haja mais diferenças, ódio, angusta, fome. Que a partir desta data só aconteçam coisas boas na vida das pessoas. Que haja felicidade, dedicação, amor. Exaltemos a Jesus menino que morreu por todos nós, para perdoar todos os pecados dos humanos. Vamos dar-mos ás mãos, celebrar e cantar. Jesus está vivo. Papai Noel existe.
FELIZ NATAL PARA TODOS! 

21 de dezembro de 2010


"Tenho que falar porque falar salva."
[Clarice Lispector]


(se eu não falar, sufoco..)

13 de dezembro de 2010

Férias


1 semana para acabarem as aulas.

E DIA 04 de Janeiro entro de férias do trampo

Alguma dica de lugar? rsrsrsrs


Abs 

6 de dezembro de 2010

A força da vida

Ainda quando "caímos fora"
Por raiva ou por covardia, por causa de um amor inconsolável.
Ainda quando a casa é o lugar mais inabitável
E chora e não sabe o que quer

Acredite que há uma força em nós, meu amor
Mais forte do que um relâmpago, do que este mundo irracional e inútil
Mais forte que uma morte incompreensível
E do que esta nostalgia que não nos larga mais

Quando tocar lá no fundo
De repente sentira a força da vida que traz contigo,
Amor não sabe, verá, existe uma saída

Ainda quando come com dor
E no silencio sente o coração, como um rumor insuportável
E não quer mais levantar, O mundo está inatingível
E ainda que a esperança já não seja suficiente

Existe uma vontade que esta morte desafia
É a nossa dignidade, a força dessa vida
Que não pergunta mais o que é a eternidade
Ainda que haja quem a ofenda ou que a venda

Quando sentir que segura em teus dedos
Reconhecerá, a força da vida que traz contigo,
Não a deixe ir embora mais, não me deixe sem você

Ainda dentro das prisões da nossa hipocrisia
Ainda no fundo do hospital nessa nova doença
Existe uma força que te guarda e que reconhecerá
É a força mais teimosa que existe em nós
Que sonha e não entrega mas

É a vontade, mais frágil e infinita, a nossa dignidade
Meu amor, é a força da vida

Que não pergunta mais, o que é a eternidade
Mas que luta todos os dias conosco, até não ter fim
Quando sentir (A força está dentro de nós)
Que segura em teus dedos (Meu amor antes ou depois)
A reconhecerá (A sentirá)
A força da vida

Você a traz contigo, e ela  é aquela voz que sussurra no seu interior:
"Veja quanta vida ainda existe!"

3 de dezembro de 2010

True Blue

Sentir carinhos conhecidos
No fundo, sonha
E no fundo, esconde
Bem longe
O que nunca poderá
Ser no fundo

Nenhuma gota de chuva
Molhará o veludo azul
Hoje, nada me fará blue

Ligue-me a TV
No canal 5
Por favor, é hora da novela
Hora de ver velhas atrizes
Plastificadas, botocadas
Elas mesmas, enfim
Em algum apartamento elegante
Do Leblon, ao som de uma bossa

Velha. Amanhã, estarei novo
Pronto, de novo, pra sentir
Seus carinhos, falsos, estrangeiros.

26 de novembro de 2010

Sete rosas para uma dama

Senhora! A vida, assim dos teus olhos banida;
É a mesma vida;
Que doravante será minha vida!
Se tua tristeza é maior;
Serei eu cúmplice desta tua dor, 
E choraremos juntos, 
As perdas do nosso amor.
Na tristeza que encima,
Teus clamores divinais;
Tenho parte, e ainda insisto: 
No teu colo, meu ninho!
Na tua boca; minha memória certa!
Teu riso, meu sorriso de contentamento,
E mesmo que advenha o ciso, 
E nos percamos no silêncio dos olhares;
Serei eu sempre contigo! 
Conserva no teu coração a lembrança do que digo:
Quando nas noites de estrelas, deitávamos enlaçados
E nos dizíamos das dores ancestrais,
Que percorrem o tempo, encarcerando homens...
Este vosso homem; sonhava!...
E no sonho que me davas, em suaves néctares, 
O mundo não tinha partes, 
E amávamos a unidade do amor.
E com que artes nossos sonhos eram divisados no futuro 
Nossos segredos... 
Nossas escolhas... 
Nossos amigos indivisos... 
Nossa poesia em flor, nossa dança ancestral,
Nossa musica, nossos filhos sonhados.
E eis que tudo se encerra; 
Num gesto sem medida; sem parcelas!
No sonho que nos fustiga;
Nas tristes realidades de um mundo divisado,
No sono profundo de nossos corpos machucados. 
Nossa memória é dada, triste feiúra, 
E os deserdados do amor, triunfam do rancor,
Os patéticos indecisos, alardeiam nossa partida, 
Dos céus das delicias que queríamos em nosso amor.
Assim curvado a tua lagrima, rumoroso, lhe digo:
Mantenha vivo, o calor das virtudes;
Na certeza que maior mundo é o nosso mundo.
E se estes olhos túmidos, que transporto para o futuro,
É marco do teu vaticínio, a ele darei vulto! 
Minha face eclipsada será marca do teu luto!
Mas, se vir a flor da alegria e te aprazer outro rito;
Senhora vós rogo o retorno do teu sorriso, 
Dele farei lenimento para a cura dos meus sofrimentos 
Serei fiel a tua espada e tua bandeira,
Permaneço! nas pedreiras do mar afora, e aguardo,
Teu amplexo de luzes, que encerre,
Este rigor que em minha face, se divisa,
 
Antes que se me conheça.

16 de novembro de 2010

Enquanto,

eu chorar,brigar, incomodar, discordar, xingar, encher o saco; tudo bem. Quando eu te ignorar aí você pode começar a se preocupar.'


15 de novembro de 2010

Ney Matogrosso, Beijo Bandido






Ney Matogrosso é conhecido por sua extravagância e coragem. Juntam-se aí um pouco de transgressão e rebeldia, misturadas com poesia e um toque de erotismo. Acrescenta-se drama e forte presença de palco. Na verdade esse era o Ney do meu imaginário.

Bem menos exuberante do que os outros shows, Beijo Bandido (assistido no dia 7 de novembro, no Sesc Pinheiros) mais parece uma história de amor contida, contada e cantada em capítulos. Capítulos tristes, diga-se de passagem, a começar pela primeira canção...

Hoje, alguém pôs a rodar
Um disco de Gardel
No apartamento junto ao meu
Que tristeza me deu

(...)

Parece me dizer
Que a noite envelheceu
Que é hora de lembrar
E de chorar
[em Tango para Teresa]

No decorrer do show, Ney, que veste um terno cinza (talvez) e uma camisa branca aberta no peito parece interpretar uma vida inteira de sofrimento de alguém que foi ou está sendo desprezado por alguém que ama....

Vivo só sem você
Que não posso esquecer
Um momento sequer
Vivo pobre de amor
À espera de alguém
E esse alguém não me quer
[em: de cigarro em cigarro]

mas que, ainda assim, esse alguém (o que despreza) é amado.

O teu corpo é luz, sedução,
Poema divino cheio de esplendor.
Teu sorriso prende, inebria e entontece.
És fascinação, amor.
[em: Fascinação]


Mesmo sem ter tal amor, submete-se a qualquer coisa para voltar...

Se o problema é pedir, implorar
Vem aqui, fica aqui
Pisa aqui neste meu coração
Que é só teu, todinho teu, o escurraça
E faz dele de gato e sapato
E o inferniza e o ameaça
[em: Doce de Coco]

Mas, quando o show está perto do fim, percebemos que o ser desprezado parece estar ciente de sua situação e, mesmo se dirigindo a um outro ser, os versos abaixo caem como um recado a sim mesmo:

Saia desta vida de migalhas
Desses homens que te tratam
Como um vento que passou
[em: Mulher sem Razão]

Bom, claro que isso é apenas uma análise bem rasa do que é este disco fenomenal do Ney. Foi o primeiro show dele que vi e saí com a sensação de tempo perdido. Mesmo tendo ouvido dezenas de outros de seus discos, sobretudo dos Secos e Molhados, só ali naquele palco, ao vivo, é que pude perceber o quanto Ney é essencial pra nossa música.

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